MIME-Version: 1.0 Content-Type: multipart/related; boundary="----=_NextPart_01C8E66E.56249C10" Este documento é uma Página da Web de Arquivo Único, também conhecido como Arquivo da Web. Se você estiver lendo esta mensagem, o seu navegador ou editor não oferecem suporte a Arquivos da Web. Baixe um navegador que ofereça suporte a Arquivos da Web, como o Microsoft Internet Explorer. ------=_NextPart_01C8E66E.56249C10 Content-Location: file:///C:/2088DE53/depoimentos.htm Content-Transfer-Encoding: quoted-printable Content-Type: text/html; charset="us-ascii" Estrutura do Caderno

Alguns participantes da Iª Conferência Nacional da Educaçã= ;o Básica, ocorrida entre os dias 14 a 18 de abril de 2008, em Brasí= lia, aceitavam o convite do Jornal da Educação para falar sobre su= as impressões sobre este importante momento de debates e consultas sobr= e a criação de um sistema de educação básica= em nosso país.

 

I CONEB

 

Depoimentos

 

Regina Góes – delegada representante do Conselho Municipal de

“Eu fui eleita delegada pelos Conselhos Municipais e esperava encontrar l&aacut= e; uma possibilidade de contribuição mesmo que fosse pequena. Encont= rei sim o que esperava: muitas possibilidades de participação, os temas foram muito bem abordados e no final uma aula de democracia com todos podendo participar com seu voto e com suas idéias.=

Vi os movimentos sociais tendo espaços para se manifestar, vi reivindicações de todas as categorias e segmentos sendo feitas.

Espero que nada fique em vão porque o que construímos lá &eac= ute; muito sério para ser deixado de lado pelos governantes. Seria bom que todas as peculiaridades da educação fossem construídas desta forma, inclusive as leis”.

 

 

Celina Alves Áreas - diretora do Sinpro Minas, Contee e da CTB (Central dos Trabalhadores e Trabalhadoras do Brasil)

 

“A Conferência Nacional da Educação Básica foi um espaço democrático em que professores, pais, estudantes, enfi= m, a sociedade civil organizada debateu sobre os rumos da educação nesse país. Um dos temas importantes da conferência foi a necessidade de se ter um Sistema Nacional Articulado da Educaç&atild= e;o. Reafirmar que a educação é dever do estado e que a rede privada de ensino deve ser regulamentada e seguir todas as exigências= da rede pública. A função social da escola "formar cidadãos e cidadãs comprometidos com a transformação dessa sociedade em uma sociedade justa, fratern= a e igualitária." O documento final, aprovado na última plenária, contempla os princípios de uma educaçã= ;o de qualidade. Como debatedora de um dos temas"função soc= ial da escola" e delegada da Confederação Nacional dos Trabalhadores em Estabelecimentos de Ensino, penso que temos em um documento para exigir que a educação seja realmente levada com seriedad= e e que os profissionais de ensino sejam valorizados”.<= /p>

 

Luiz Fernandes Dourado – Professor da Universidade Federal de Goiás=

 

“A conferência Nacional de Educação Básica se constituiu em movimento expressivo = de debates de idéias, concepções e de políticas educacionais direcionadas as etapas e modalidades que compõem esse nível de ensino. A realização prévia de conferências estaduais, a articulação de diversos segmentos, a elaboração de documento base, os debates realizados e as deliberações de plenário da conferência nacional delineiam um panorama importante para a educação básica na medida em que se ratificam princípios tais como: visão ampla de educação e escolarização; gestão democrática dos sistemas e das unidades educativas; a necessá= ria regulamento do regime de colaboração entre os entes federados= ; a importância de um sistema nacional de formação e profissionalização dos trabalhadores em educaçã= o; o necessário incremento de recursos à educação pública nacional, envolvendo a ampliação de recursos, a derrubada dos vetos ao Plano Nacional de Educação (PNE); a es= truturação de um sistema nacional (articulado) de educação. Tais princípios e propostas, se articulados ao PNE, poderão propic= iar a rediscussão dos marcos das políticas e gestão da educação básica no Brasil na perspectiva de se avançar para a organicidade entre estas, os diferentes programas e ações que envolvem os entes federados. A construç&atil= de;o de uma conferência nacional, envolvendo a educação básica e superior, se constitui também em importante avanço nas deliberações da Coneb por possibilitar a discussão das questões que envolvem toda a educaç&atil= de;o nacional, pública e privada."

 

Gevanilda Santos - Professora Universitária, Mestre em Sociologia Política – PUCSP, Integrante do GT Educação da CONEN, da diretoria da Associação Brasileira de Pesquisadores Negros - ABPN e da Soweto Organizaç&atil= de;o Negra - SP.

 

O eixo da diversidade e o Coneb

 

“No cenário desta primeira Conferência Nacional de Educação Básica houve interesses, tensões e conflitos comuns na democracia participativa, = mas o importante é não deixá-lo passar despercebido porque é inspirador de novos fazeres na política publica educacional= e creio nos dará em médio prazo, a partir do cumprimento das me= tas do PNE, resposta concreta aos desafios colocados para a educaç&atild= e;o brasileira que não são poucos.

 

Eu quero concordar e chamar atençã= ;o para um dos grandes desafios da conferencia e muito bem colocado pelos conferencistas Jamil Cury e Nilma Gomes que é inclusão da diversidade na pauta da política educacional brasileira, porque desa= fia a nossa capacidade de ampliar o acesso e permanência dos chamados “diferentes” que enfrentam no cotidiano escolar as mazelas do preconceito e da discriminação; desafia a capacidade do MEC de articular políticas gerais e especificas que estão em andamen= to; desafia o estudante, o trabalhador e o gestor da educação ao comprometimento radical com novos hábitos e a diferença através do principio participativo na hora de discutir mudanç= a no currículo, na formação e na valorização profissional e no compromisso dos entes federados. Se a educaç&atild= e;o é para todos, cada diferente deve ter a garantia do acesso e permanência respeitando a diversidade. Não há tempo a esperar. Há um entendimento que para combater as desigualdades na escolarização do Brasil a inclusão deve começar já. Porem, ainda há muita indiferença, tensão e= divergência em como e quando incluir a diversidade.

 

A participação massiva e organiza= da do Movimento Negro no eixo IV da Conferencia que tratou da Inclusão e Diversidade na educação Básica foi acertada, educativa= e estratégica porque garantiu o dialogo dos movimentos sociais com a proposta geral da conferência que é o Sistema Nacional Articul= ado da Educação.

 

A despeito das regras gerais de participação a representação do movimento negro= e quilombola foi garantida após pressão nacional, ela iniciou-s= e no Rio Grande do Sul e se estendeu ate o nordeste reunindo cerca de 15 estados (RS, SC, PR, SP, RJ, ES, MG, DF, GO, MT, BA, CE, MA, PE, PI).

 

A plenária da diversidade só ence= rrou os trabalhos apos apreciação de todas as propostas considerad= as importantes para cada um dos segmentos lá presente.  O segmento do movimento negro e quilombola, do movimento indígena, do movimento dos trabalhadores do campo, meio ambiente, diversidade sexual, as pessoas com necessidades educacionais especiais, a educação de jovens e adultos, inclu= sive adolescentes em situação de risco e outros.

 

Os interesses, as tensões e os conflitos ocorreram por diversos fatores. Entre eles o desconhecimento e/ou discordância em relação à participaç&atil= de;o na plenária do eixo que foi por sorteio e não uma opção dos delegados; a tensão relativa às regra= s de funcionamento comum à plenária na medida em que foi o primeiro momento da disputa direta entre propostas; a preocupação e tensão para garantir a manutenção das propostas origin= ais encaminhada pelos estados; as inúmeras intervenções na redação do texto das propostas para precisar o seu sentido ou apresentar nova proposta. O fato da mesa de direção, mesmo que= para o bom desempenho da sua função, defender a manutenção das propostas originais contribuiu para o aumento = da tensão e da unidade entre os diversos segmentos dos movimentos socia= is lá presentes que construíram laços de solidariedade a = cada votação vitoriosa de incorporação da sua propos= ta ao documento base da conferencia.

A plenária da diversidade durante as seis horas de trabalho esteve atenta à leitura das propostas num esforço grandioso para referendar aquelas que foram incorporadas ao documento base, para propor a incorporação daquelas que haviam sido vinculadas ao temário do eixo e resgatar as propostas que na versão dos movimentos sociais eram fundamentais para a construção de políticas publicas educacionais.

 

Diga-se de passagem, a metodologia da leitura e posterior aprovação ou não das propostas deu-se em respeito aos delegados com deficiência visual.  O respeito à diversidade na= sua concepção política e práxis foi o ponto alto do consenso para a inclusão da diversidade na educação. A autonomia ou protagonismo dos segmentos sociais mediado pelo respeito aos conteúdos das propostas foram decisivos para a dinâmica da plenária que com alegria, valorização e atenção a lideranças dos segmentos garantiu a incorporação das propostas ao documento base com mais de sete= nta por cento de aprovação. O que se repetiu na plenária final, cujo relatório levou menos de quinze minutos para ser aprovad= o. A participação em bloco pela diversidade ocorreu sem prejuízo da aprovação das propostas mais polemicas que condicionam, ao meu ver, o sucesso das propostas do eixo IV, tais como a de= fesa da escola publica, o financiamento da educação, o piso salari= al e o regime de colaboração entre os entes federados.  

 

Indubitavelmente, a relatoria final da Conferen= cia terá uma tarefa imensa para traduzir o ocorrido nas plenárias= e principalmente sistematizar propostas que possuem semelhanças entre = si e atendem as inúmeras considerações feitas ao sistema escolar nos cinco eixos temáticos da conferência. Essa tarefa não será fácil.  Sugiro aqui seja ampliada a relatoria final com representação da diversidade com arte e espírito democ= rático para que os diversos interesses possam ser articulados no Sistema Nacional a Educação.

 

Para a educação etno-racial brasi= leira foi um avanço o conjunto de propostas aprovadas porque ele é = uma referencia legal e política importante: a validade da Lei 10639/03 a= te a revisão da LDB, a continuidade da sua implementação através do Sistema Nacional Articulado da Educação com aporte financeiro, formação em nível nacional e respei= to à diversidade para garantir a democratização da gestão e qualidade da educação. Outro passo importante foi à aprovação da moção de apoio ao PL 73/99 que res= erva 50% de vagas na universidade publica respeitando a proporção = de negros e indígenas.

 

Oxalá! Consigamos uma educaç&atil= de;o de qualidade para todas as fases da vida criança negra”.<= /o:p>

 

Ana = Rosa Peixoto de Brito – representante da ANFOPE

 

“A Conferência Nacional de Educação Básica - CONEB, em síntese, represento= u um espaço de mobilização, que possibilitou que diferentes representações educacionais se reart= iculassem nacionalmente para o fortalecimento de bandeiras de lutas históricas= em defesa da educação pública, gratuíta e de qualilidade socialmente referenciada nos interesses da classe trabalhadora.<= /span>

A CONEB organizou sua temática baseada em cinco eixos que trataram: da constru&c= cedil;ão do sistema nacional articulado de educação; da democratização e gestão; da construção do regime de colaboração entre os sistemas com foco maior no financiamento; da inclusão e diversidade e da formação= e valorização do profissional da educação. Os tem= as demandaram muitas polêmicas, As discussões que se fizeram desd= e as instâncias estaduais culminaram em fortes embates ideológcos. Considerando ser a Conferência um espaço que congregou diferentes representações da sociedade, faz-se imperioso que tão grande investimento do Governo, através do MEC, s= e efetive enquanto definição política de um sistema nacioal articulado de educação, como é a proposta= do evento, e não fique como mais uma "conferência gloriosa&q= uot; apenas como registro de anais a serem arquivados.

A ANFOPE, teve sua participação na organização geral, na construção das instâncias estaduais e nos nos encaminhamentos do evento, esperamos q= ue as políticas de formação e valorização&n= bsp;profissional aprovadas, sejam respeitadas e implementadas enquanto politicas de ESTADO&#= 8221;.

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

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