A ESCOLA
COMO ESP=
AÇO
PÚBLICO E O PROFESSOR
ENQUANTO INTELECTUAL
Dirce Zan=
o:p>
FE/UNICAMP<=
/o:p>
Vivenciamos no Brasil, nas últimas décadas, um
conjunto de reformas educacionais que
se mostram comprometidas com o que alguns autores denominam de u=
m
“ajuste neoliberal”. <=
st1:verbetes
w:st=3D"on">Sob a argumentaç=
;ão
de melhoria da qualidade de ensino, várias foram as medidas
tomadas =
que
contribuíram para uma economia
de investimentos públicos
em educa=
ção
e para uma adequa&cc=
edil;ão
da instituição escolar aos chamados “novos
tempos”. A lógica
do mercado é o que parece <=
st2:hm
w:st=3D"on">estar direcionando as novas<=
/st1:verbetes>
diretrizes par=
a
essa instituição.
&=
nbsp; A
partir dessa l&oacut=
e;gica
se tece críticas à <=
st1:verbetes
w:st=3D"on">escola, em especial a do setor=
público, apontando como
um dos s=
eus
maiores =
entraves
a precária formação
docente e a má
administração. Para tanto, propõe-se a ad=
oção
dos princípios gerenciais próp=
rios
do setor empresarial=
e a avaliação docente como antídotos<=
/st1:verbetes>
ao baixo desempenho
apresentado nas últimas pesquisas
educacionais. Estas estratégias
partem do princípio de que as questões=
educacionais e sociais
podem ser resolvidas através
de eficientes técnicas,
marcadas pela racionalidade,
pela esc=
olha
dos melhores métodos
didáticos, instrumentos
avaliativos, formas eficientes
de motivar e prender a atenção dos alunos
em sala<=
/st1:verbetes>
de aula.
&=
nbsp; Ao
mesmo te=
mpo,
os professores da educaç&at=
ilde;o
básica, por exemplo,
sofrem com o achatamento salarial e com um processo paulatino de retirada
do controle sobre
seu trabalho=
st2:dm>.
Além disso, ele
é desafiado todo momento a continuar
estudando, buscando mais títulos, investindo neste “capital humano”.
Os espaços para
trabalho coletivo
são reduzidos na escola e a pressão
recai individualmente sobre o professor <=
st1:verbetes
w:st=3D"on">enquanto sujeito responsável pel=
a
baixa qu=
alidade
do ensino.
&=
nbsp; O
avassalador progresso
das idéias do neoliberalismo tem contribuído para
a naturalização das =
questões sociai=
s
e a difusão da noção de que
não há possibilidade=
de outra sociedade, de=
outra forma de organização social,
de outra escola...
Mas quero argu=
mentar
aqui que=
essa opção existe. D=
e que o passado, bem como o presente, são resultados das op&cced=
il;ões
que n&oa=
cute;s,
sujeitos históricos,
realizamos.
&=
nbsp; Faço
então a pergunta:
como será possível
promover uma ruptura com esse quadro? Qual o papel da escola nesse
contexto?
&=
nbsp; Entendo
que a es=
cola
é um espaço
público da forma
como Habermas concebe tal espaço,
isto é: um
espaço plural
cuja bas=
e
está no diálogo e na=
conversação entre
sujeitos que
estão em posições
que se diferem e ao mesmo
tempo se aproximam. O espaço pú=
;blico,
segundo o filósofo, torna-s=
e um espaço
privilegiado na constituição
dos sujeitos e na construção
da história. Para
ele, a e=
sfera
pública é um espaço
em que=
st1:verbetes>
há o encontro de cidadãos que
falam entre si
e que bu=
sca
garantir o acesso<=
/st1:verbetes>
de todos. Permite o desenvolvimento
do princípio da transparência
e prestação de contas. Este espaço, pautado pelo<=
/st2:dm>
diálogo entre
cidadãos, deve garantir
o debate aberto e=
acessível a tod=
os
e que as questões
postas e=
m
discussão sejam do interesse
da coletividade. Resultaria deste
espaço, portanto, a opinião p&uacut=
e;blica
que aqui=
é entendida enquanto
consenso adquirido através
do livre debat=
e
sobre qu=
estões
comuns.
&=
nbsp; É
um espa&=
ccedil;o
que permite a interação
e a possibilidade de construção =
de projetos que se
contraponham ao projeto hegemônico. Atra=
vés
de Giroux, no seu livro
Os profes=
sores
como int=
electuais,
é possível compreendermos o papel importante que
o professor, enquant=
o
intelectual, terá nesse espaço e processo.
&=
nbsp; Mas quem
é esse =
professor
enquanto intelectual?
Para Giroux, é aquele
que compreende a pedagogia
como forma de
política cultural, isto é, como
um conju=
nto
concreto de práticas
que produzem formas
sociais =
através
das quais diferentes
tipos de conhecimento,
conjuntos de experiências
e subjetividades são
construídos. São aqueles também<=
/st1:verbetes>
que compreendem que
as subjetividades são produ=
zidas
e reguladas através de formas sociais que foram produzidas historicamente e que incorporam e apresentam interesses
particulares. Pressupõe, portanto, ver a escola não
apenas c=
omo
espaço instrucional, mas também como espaço cultural.=
p>
&=
nbsp; Para tanto, &=
eacute; fundamental uma discuss&atil=
de;o
com o professo=
r
em forma=
ção
acerca da intrínseca
relação existente entre conhecimento
e poder. Permitir=
a esses sujeitos
a compreensão do processo
histórico, social
e cultural que definiu os conhecimentos veiculados na escola,
instituição em que
irá atuar. =
Problematizar
como cer=
tos
aparatos de po=
der
produzem formas de conhecimento
que legitimam um
tipo par=
ticular
de verdade e estilo<=
/st1:verbetes>
de vida. Ter<=
/st2:hdm>
clara a =
compreensão
de que o currículo
não é neutro,
mas resu=
ltado
de seleções definida=
s a partir de lutas sociais. É permitir=
st2:hm>
a construção de um
pensamento crítico
sobre a realid=
ade
e o conhecimento historicamente
produzido e difundido pela instituição escolar.
Esse é o desafio
que parece se =
colocar
a todos aqueles que
trabalham com a formação
de professores.
&=
nbsp;
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