Simpósio 3

Condição e valorização do trabalho docente no Século XXI: sociedade em mudança

Simposistas:

Moderador:

Antônio Zuin (UFSCAR) Lattes


Simposista 1: Heleno de Araújo - Coord. do Forum Nacional de Educação

Tendo como referência o documento final da CONAE 2014 e com a aprovação do novo Plano Nacional de Educação (PNE), com suas 20 metas e as 254 estratégias que definem os eixos para a elaboração das políticas educacionais nos próximos dez anos. Considero que é tarefa dos governos das três esferas federativas e dos movimentos sociais  tratar e cuidar da universalização da educação básica com qualidade e equidade, da ampliação do acesso de jovens ao ensino superior, da gestão democrática do ensino, da valorização dos profissionais da educação e do financiamento da educação pública.Nesta mesa de debate darei ênfase às conquistas voltadas para a valorização profissional dos trabalhadores e das trabalhadoras em educação, estabelecidas nas seguintes metas: meta 15, que trata da formação inicial para os Profissionais da Educação; meta 16, sobre a formação continuada na pós-graduação para todos/as os/as Profissionais da Educação; meta 17, que determina em até seis anos equiparar o salário médio dos Professores ao salário médio das outras profissões com a mesma formação e jornada; meta 18, que exige plano de cargos e carreiras unificados para os/as Profissionais da Educação, tendo como base o Piso Salarial Profissional Nacional, estabelecido no artigo 206, inciso VIII da Constituição Federal para todos e todas que atuam na educação básica pública e sejam profissionalizados. Cabe observar que, ainda que o PNE esteja aprovado como lei, será necessário o acompanhamento vigilante das entidades que lutaram por sua aprovação e o consideram uma conquista em relação à situação atual para que seja garantido na prática o direito pleno à educação com a qualidade social merecida e a valorização dos seus profissionais. 


Simposista 2: Andréa Barbosa Gouveia- UFPR

Valorização do professor: possibilidades e limites no contexto da sociedade contemporânea.

Resumo

O trabalho parte de aportes de pesquisa para apresentar uma análise das condições de remuneração, carreira e condições de trabalho dos professores brasileiros de forma a contribuir para compreender os contornos específicos da relação entre valorização profissional e relações de trabalho no contexto contemporâneo. Procuram-se elementos que possam caracterizar condições de valorização, ou seja, aqueles que se relacionam a perspectivas de carreira, atratividade, fixação de professores nos sistemas de ensino, e cotejam-se estas condições com elementos que podem revelar impasses à valorização. Propõe-se uma análise destes impasses tanto na perspectiva de que estes decorrem da manutenção de desigualdades sociais estruturais que se relacionam às desigualdades econômicas externas ao trabalho docente, quando às desigualdades produzidas no interior dos sistemas educacionais e que tem legitimado condições de trabalho desiguais entre professores de diferentes etapas e modalidades de ensino. Tal análise dialoga com as metas do Plano Nacional de Educação (Lei 13005 de 2014) na construção de um cenário de desafios para formação, valorização e fixação de professores na rede pública de ensino brasileiro.


Simposista 3: Antonio Olmedo - University of London

Práticas resistentes e práticas de resistência: Subjetividade, governamentalidade e a política de ensino.

Resumo

Neste texto buscamos adotar uma abordagem “diferente” em relação à questão da resistência – uma que toma por base o trabalho de Michel Foucault. Nós já podemos ouvir os resmungos coletivos – o que Foucault, teórico da dominação e niilista, tem a dizer sobre resistência e liberdade? Nós gostaríamos de sugerir que ele tem muito a oferecer, particularmente no presente momento, particularmente para o professor. Não temos nenhuma crítica a fazer e temos somente admiração pelos esforços de resistência coletiva baseados no que Michael Apple (2012) chama de “unidades descentradas”. Contudo, nós queremos tratar especialmente dos apuros do professor que está sozinho em sua sala de aula ou na sala de professores e percebe algo “trincado”, algo que para os seus colegas não é mais do que o zumbido constante do mundano e do normal, e o acha intolerável. Como eles respondem? Colocando de forma simples, na medida em que as governamentalidades neoliberais foram enfocando cada vez mais a produção da subjetividade, é lícito que pensemos na subjetividade como o lócus de luta e resistência.

Nosso enfoque neste trabalho é tanto a análise de modos e tecnologias neoliberais de governamentalidade como esses modos e tecnologias como pontos de agonismo e luta onde diferentes possibilidades do professor como sujeito podem ser vislumbrados. Esta é uma tentativa de abordar as relações de poder de forma diferenciada, seguindo os fluxos de poder na “direção oposta”. O que buscamos fazer é delinear a base de uma “nova economia das relações de poder” e fazê-lo de forma diferente, de uma maneira “que é mais empírica, mais diretamente relacionada à nossa situação presente, e que implica relações mais estreitas entre a teoria e a prática” (Foucault, 1982, p. 211). Esta abordagem “diferente” toma, como ponto de partida, formas específicas de resistência, isto é, como Foucault sugere, nós queremos examinar a resistência a práticas e especificamente as práticas de performatividade, e então usar essas práticas de resistência “como um catalisador químico de modo a esclarecer as relações de poder, localizar sua posição, descobrir seu ponto de aplicação e os métodos utilizados” (Foucault, 1982, p. 211).

Currículo resumido

Antonio Olmedo trabalha com Política Educacional na Universidade de Roehampton e é Professor Visitante no Instituto de Educação na Universidade de Londres. Suas pesquisas se situam nos campos de Análise de Políticas Educacionais e Sociologia da Educação. Mais concretamente, interessa-se por aspectos relacionados a Políticas Educacionais e classes sociais: o papel do setor privado na educação: políticas neoliberais e a criação de quase-mercados; e redes globais, organizações internacionais, defesa de políticas, filantropia, e “Edu-businesses”: políticas educacionais internacionais e padrões emergentes de acesso, oportunidade e conquistas na educação. Juntamente com o professor Stephen Ball, Antonio está atualmente trabalhando em um projeto de pesquisa fomentado pela Academia Britânica entitulado: “Filantropia, Negócios e Educação: soluções baseadas em mercado para problemas educacionais em países em desenvolvimento”. Ele também está envolvido em um projeto de pesquisa com colegas da Universidade de Granada e a Universidade Complutense de Madri. Este projeto recebe apoio financeiro do Ministério da Educação da Espanha e enfoca os processos de privatização e a criação de quase-mercados no sistema educacional espanhol.