SUMÁRIORESUMOSPLURALIDADE LINGUÍSTICA, ESCOLA DE BÊ-Á-BÁ E TEATRO JESUÍTICO NA BRASIL DO SÉCULO XVI

SUMÁRIO

EDITORIAL

Introdução
Elizabeth Macedo
Inês Barbosa de Oliveira
Nilda Alves 
Raquel Goulart Barreto

Imagens de escolas: espaços-tempos de diferenças no cotidiano
Nilda Alves & Inês Barbosa de Oliveira

Imagens e narrativas entrecortando a produção de conhecimentos escolares
Antonio Carlos Rodrigues de Amorim

Imagens de crianças e crianças nas imagens representações da criança na iconografia pedagógico nos séculos XIX e XX 
Loic Chalmel

Imágenes en la historia de la enseñanza: la lámina escolar
Daniel Feldman

A imagem da ciência: folheando um livro didático
Elizabeth Macedo

Artigos

A avaliação e as reformas dos anos 90: novas formas de exclusão, velhas formas de subordinação
Luiz Carlos de Freitas

Pluralidade lingüística, escola de bê-á-bá e teatro jesuítico no Brasil do século XVI
Amarilio Ferreira Junior & Marisa Bittar

Creches nas universidades federais: questões, dilemas e perspectivas
Marilena Dandolini Raupp

Revisão & Síntese

Para uma sociologia da pequena infância
Eric Plaisance

Debates

O governo Lula e a educação: a deserção do Estado continua?
Nicholas Davies

Imagens & Palavras

A educadora de creche: construindo suas identidades
Maria Aparecida Mello

Qualidade na educação da primeira infância: perspectivas pós-modernas
Lara Simone Dias

Ensino superior e neoliberalismo no Brasil: um difícil combate
Valdemir Pires

O Estúdio de televisão e a educação da memória
Milton José de Almeida

A escola da periferia: escolaridade e segregação nos subúrbios
Maria Drosila Vasconcellos


RESUMOS

IMAGENS DE ESCOLAS: ESPAÇOS-TEMPOS DE DIFERENÇAS NO COTIDIANO

Nilda Alves & Inês Barbosa de Oliveira

Recuperando trajetórias comuns de pesquisa envolvendo o cotidiano escolar e, sobretudo, as práticas e histórias de professoras da rede pública de ensino, desenvolvemos neste texto uma reflexão acerca dos usos que vimos fazendo de imagens nesses trabalhos, considerando-as, como nos ensina Manguel (2001), sempre associadas a narrativas. Neste sentido, apresentamos imagens de escolas rurais e urbanas, interpretando-as como narrativas de situações ou constituidoras de significados os mais diversos e evidências das muitas diferenças e semelhanças entre umas e outras, procurando evidenciar a riqueza que elas possuem bem como as múltiplas possibilidades que abrem na compreensão das redes de saberes e fazeres que envolvem os espaços tempos cotidianos de ensinar aprender, o que as torna, para nós, material de inestimável valor para as pesquisas no/do cotidiano escolar.

Palavras-chave: Cotidiano escolar; Práticas e histórias de professoras.

IMAGENS E NARRATIVAS ENTRECORTANDO A PRODUÇÃO DE CONHECIMENTOS ESCOLARES

Nilda Alves & Inês Barbosa de Oliveira

A estética rizomática deleuzeana de produção de conhecimentos potencializou a expressão do currículo compreendido como narrativa em acontecimentos e ao mesmo tempo celebração visual de um modo de ver e estar no mundo. O texto apresenta narrativas em corte que atravessam duas estruturas: a disciplina “fundamentos do ensino de ciências” para professoras de ensino fundamental e aulas de biologia de um professor da rede pública. O plano de composição, com imagem de clonagem de seres vivos, textos das alunas de pedagogia, intromissões minhas com citações de autores e a invenção da forma de sua apresentação, é a busca por criar outra escrita que não seja o aprisionamento e a morte das significações, realizando registros que guardem mais aproximação com as experiências.

Palavras-chave: Imagens; Rizoma; Narrativa

IMAGENS DE CRIANÇAS E CRIANÇAS NAS IMAGENS: REPRESENTAÇÕES DA CRIANÇA NA ICONOGRAFIA PEDAGÓGICO NOS SÉCULOS XIX E XX

Loic Chalmel

O texto discute a trajetória das representações da infância do Século das Luzes (XVII), quando o humanismo originou mudanças na representação da infância, antes sacra e que então se torna real, e as do século XVIII, no qual uma infância idealizada esconde a rudeza da vida real das crianças da época, para afunilar este debate na produção iconográfica com objetivos pedagógicos. Da produção imagética proposta por Comenius ao que se fez a partir dele no século seguinte, destaca-se a permanência da idéia do uso da imagem como representação do real, de leitura e compreensão mais fáceis que o código escrito, sendo, portanto, uma ferramenta pedagógica útil. Ao mesmo tempo, discute-se o significado das mudanças operadas nas imagens como representativo de mudanças nos modos de pensar e de conceber o próprio conhecimento e seus processos de transmissão.

Palavras-chave: Infância; Produção iconográfica; Ferramenta pedagógica.

IMÁGENES EN LA HISTORIA DE LA ENSEÑANZA: LA LÁMINA ESCOLAR

Daniel Feldman

El trabajo propone algunas reflexiones sobre el papel de las imágenes en la historia de la enseñanza escolar. Se procura analizar esta cuestión entrelazando dos puntos de vista. En primer lugar, algunas respuestas que fueron provistas, principalmente durante el siglo XIX e inicios del siglo XX, a la pregunta ¿qué papel juega la representación del mundo, de las cosas, en el conocimiento y cómo la pedagogía creyó que debe proceder la enseñanza escolar para promover el conocimiento? En segundo lugar, la descripción de algunos rasgos que describen la evolución del uso de imágenes en las escuelas públicas argentinas. Los dos puntos de vista se vinculan para analizar los cambios en el uso de la imagen figurativa y fija en la práctica escolar. Se propone que el cambio principal está ligado con el paso en el uso de las imágenes como base de conocimiento mediante la intuición sensible, al uso de las imágenes como apoyo informativo, recurso de organización o expresión del trabajo de los alumnos. Se utiliza esta reflexión sobre el cambio en el uso de las imágenes escolares para considerarlo como caso de una hipótesis de orden más general sobre el desarrollo del currículum y de los patrones de formación en Argentina.

Palavras-chave: Enseñanza escolar; Currículum; Historia de la escuela.

A IMAGEM DA CIÊNCIA: FOLHEANDO UM LIVRO DIDÁTICO

Elizabeth Macedo

O texto analisa livros didáticos de ciências, centrando-se nas imagens apresentadas nesses dispositivos escolares. Num primeiro momento, apresenta indícios que permitem fazer uma leitura das tradições hegemônicas nos currículos, tendo como contraponto outros sistemas referenciais. Com base em teóricos pós-coloniais, procura mostrar como as imagens corporificam estratégias de omissão e marginalização culturais. Num segundo momento, analisa os modos de endereçamento presentes nos livros: os modelos de ciência e de prática pedagógica apresentados.

Palavras-chave: Currículo; Pós-colonialismo; Ciências naturais.

A AVALIAÇÃO E AS REFORMAS DOS ANOS 90: NOVAS FORMAS DE EXCLUSÃO, VELHAS FORMAS DE SUBORDINAÇÃO

Luiz Carlos de Freitas

Examina-se o impacto das reformas neoliberais e da pós-modernização ingênua do pensamento educacional como instrumentos articulados de desconstrução do pensamento progressista e de retorno a teses positivistas/pragmatistas no campo da educação. Mascaradas como incertezas, exaltadas como diferenças e justificadas como caos, sua função é impedir-nos de pensar o futuro e abrir espaço para que ele seja planejado na ótica das necessidades do capital, com plena liberdade de valorização. Procura-se ainda mostrar como as reformas educacionais dos anos de 1990, desenvolvidas nesse contexto, viabilizaram, apoiando-se na avaliação informal, novas formas de exclusão pelo interior do sistema educacional, mantendo intacta sua tarefa de formar para a submissão, por meio da ocultação do debate sobre as finalidades da educação.

Palavras-chave: Neoliberalismo; Pós-modernismo; Avaliação informal; Exclusão; Subordinação.

PLURALIDADE LINGUÍSTICA, ESCOLA DE BÊ-Á-BÁ E TEATRO JESUÍTICO NA BRASIL DO SÉCULO XVI

Amarilio Ferreira Junior & Marisa Bittar

Este artigo focaliza o Brasil “indianizado” do século XVI no qual predominava a pluralidade lingüística, destacando-se o tupi e o português. O primeiro era a língua “geral” (nheengatu), falada por todos e de aprendizado obrigatório para os jesuítas; o segundo estava restrito às casas de bê-á-bá mantidas pela Companhia de Jesus. Neste contexto surgiu o teatro anchietano, encenado preferencialmente em português e tupi, com o objetivo de catequizar. Nosso estudo nos permitiu concluir que, tanto na forma como no conteúdo, o teatro serviu à aculturação, pois “cristianizou” a cultura indígena ridicularizando os seus mitos, que eram protagonizados pelos próprios índios, além de expandir o uso do português, principal idioma das peças. Começou aí a substituição da pluralidade lingüística pelo português, hegemônico a partir do século XVIII.

Palavras-chave: Educação jesuítica; Pluralidade lingüística; Teatro anchietano; Catequese; Aculturação.